A vida levada por eles, naquela
época, era totalmente diferente do ritmo de vida de nossos atuais jogadores.
Antigamente, se tinha 10 craques em um só time e todos conseguiam, de forma
tranquila, jogar em prol do clube, sem qualquer vaidade ou arrogância.
Considero Alex, jogador do Coritiba,
um craque “à moda antiga”. Quando ele saiu do clube paranaense, aos 19 anos,
foi para o Palmeiras como uma grande promessa. E não fez por menos. Com um
futebol refinado e clássico, em pouco tempo Alex já era o ídolo da torcida
palmeirense, a ponto de trazer à lembrança grandes craques que vestiram a
camisa 10 do clube, como Ademir da Guia.
Durante a sua carreira, Alex sempre
se destacou pelo que fez dentro de campo. Foi jogar na Turquia, pelo
Fenerbahçe, onde marcou 185 gols e conquistou seis títulos: três Campeonatos
Turcos, duas Supercopas do país e uma Copa da Turquia. Após oito anos de clube,
o jogador era ídolo da torcida turca e se despediu emocionado, na inauguração
de uma estátua em sua homenagem, no dia 15 de setembro de 2012.
O seu retorno ao Brasil trouxe
alvoroço entre os clubes brasileiros. Todos sonhavam em contratar o meia como
reforço, com direito a campanha da torcida do Cruzeiro que relembra até hoje,
com carinho, a conquista da Tríplice Coroa em 2003, quando o clube mineiro
conquistou na mesma temporada o campeonato mineiro, Brasileirão e Copa do
Brasil, tendo Alex como o comandante do time.
Mas, em 17/10/2012, Alex anunciou o
seu retorno ao Coritiba, clube que o revelou e pelo qual o jogador nunca
escondeu ser torcedor desde criança. Discreto e tímido, como sempre, Alex foi
recebido, na ocasião, com muita festa pela torcida coxa branca no Couto
Pereira.
Domingo passado, o meia conquistou
seu primeiro título pelo clube, o Tetra Campeonato Paranaense de 2013, sendo o
artilheiro da competição com 15 gols. Ao falar da torcida, em uma de suas
entrevistas, ele não hesitou em afirmar que “era
um deles, mas que tinha o privilégio de estar em campo”.
Antigamente, os craques vestiam a
camisa dos clubes por amor. Eram torcedores que saíam da arquibancada (ou da
geral) e davam o sangue pelo time e pelos seus companheiros com muita dedicação
e garra.
E Alex, não é diferente.
E é por isso que o privilégio, neste
caso, não é dele; é de todo torcedor brasileiro que tem a oportunidade de
presenciar a volta de um craque para casa. Ou melhor, para a SUA casa.


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